Categoria Opinião  Noticia Atualizada em   29/04/2015   às  08:22:48                   
Sem arte no h psicanlise
Na próxima semana comemoramos o Dia do Psicanalista. Entusiasmado com a proximidade da data, e por agenda lotada, me deparo com a situação lamentável que vivem hoje os artistas capixabas. Estão acampados na Secretaria de Estado de Cultura (Secult) lutando contra o corte dos recursos destinados aos editais da cultura.

Sem tempo para uma reunião institucional, manifesto minha opinião sobre a tentativa de homicídio praticada pelo governo estadual a todos que vivem pela arte. Mas o que um analista tem a ver com isso? Ora, pois o próprio Freud, “pai da psicanálise” disse: "seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim".

A relação da psicanálise com as artes em geral é intima. E, por isso, sentimentos revoltosos e de indignação são compreensíveis. Confesso que neste exato momento muitas coisas passam pela minha cabeça e, com certeza, uma delas é vontade de gritar. Acontece que poucos vão ouvir. Ou quase ninguém.

Os deputados. Estes que deveriam fiscalizar as megalomanias executivas vestiram a carapuça masoquista. Escolhem pessoas e situações que levam ao desapontamento, fracasso, ou maus-tratos, mesmo quando melhores opções estão claramente disponíveis. Por isso, meu manifesto. Insisto em dizer que sem arte não há psicanálise.

Em relação à arte, para ter uma ideia, no próximo dia 07 de maio estreia nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o documentário “De Gravata e Unha Vermelha”, dirigido por Mirian Chnaiderman. O longa recebeu o prêmio de melhor documentário no Festival do Rio de 2014 e também foi exibido no Festival É Tudo Verdade no mesmo ano.

“Uma psicanalista que faz cinema”, assim Miriam Chnai¬der¬man se define. O prazer nos estudos de filosofia, psicologia e psicanálise, o gosto pela literatura, música, cinema – as artes em geral – marcam sua trajetória intelectual, na qual se destacam o mestrado em literatura e psicanálise e o doutorado em teatro – é doutora em artes pela Escola de Comunicação e Artes da USP –, e o pós-doutorado no Laboratório de Psicopatologia Fundamental da PUC.

No primeiro Encontro Literário Paraense da XIX Feira Pan Amazônica do Livro, programada para o período de 29 de maio a 07 de junho, no Hangar, terá como tema “Poesia Feminina”. Uma das escritoras convidadas para abordar o assunto é poetisa, escritora, psicanalista e psiquiatra, Luciana Brandão Carreira.

Luciana, além de Doutora em Psicanálise pela UERJ /sanduíche Université Paris XIII, professora da Uepa e supervisora clínica do Ambulatório de Saúde Mental do Cesupa, é autora dos livros “Entre” (Verve, 2014) e “Os tempos da escrita na obra de Clarice Lispector – no litoral entre a literatura e a psicanálise’” (Cia de Freud, 2014) e também componente do núcleo editorial da Revista Polichinello, trabalha, em suas pesquisas, na interface entre arte e psicanálise, tendo como principais referências as obras de Sigmund Freud e de Jacques Lacan.Luciana Brandão Carreira, que vão contextualizar o assunto no cenário paraense.

Enquanto isso, no Espírito Santo, vemos com tristeza as políticas públicas para a cultura entrarem pelo cano. Contudo, se depender dos artistas, estudantes, profissionais liberais, ativistas e muitos amantes da arte... O espetáculo não para. Jamais!

Fonte: O Autor
 
Por:  Roney Moraes    |      Imprimir