Categoria Geral  Noticia Atualizada em   14/05/2015   às  11:09:28                   
Buffon carrega Juve e volta a Berlim com sonho. CR7 homenage
Foto: globoesporte.globo.com
Uma história que bem poderia fazer parte de um roteiro de um filme aconteceu na vida real de Buffon. Em 2006, o goleiro vence a Copa do Mundo em Berlim, volta para a Itália e aceita jogar na segunda divisão com o Juventus, rebaixado pelo escândalo de apostas e combinação de resultados. Por ali fica, por vezes, quase esquecido. Durante anos, nunca mais voltou à elite do futebol europeu, mas, mesmo desejado por vários clubes de peso, não quis deixar o time de Turim. Permaneceu em sua casa, superou uma depressão, um divórcio, mas nunca deixou de trabalhar para estar pronto no momento de brigar pelo troféu mais desejado da sua carreira, o da Liga dos Campeões da Europa.
- Em 2003 joguei a final, perdi, mas não fiquei tão triste, porque ainda era jovem (25 anos), jogava em um grande clube e pensava que fosse ter mais oportunidades para conquistar este troféu. Depois os anos foram passando e infelizmente isso não aconteceu. Mas continua sendo o meu grande sonho - afirmou Buffon, em entrevista à revista da UEFA, no começo da temporada.

Voltas e reviravoltas. Os “Deuses do Futebol” quiseram dar mais uma oportunidade a Buffon para, como capitão, levantar a taça desejada. Onde? Em Berlim, no Olympiastadion, onde há nove anos beijou, abraçou, pulou e chorou com o troféu da Copa do Mundo na mão. O destino tem destas coisas, o percurso se repete - e o goleiro, o meia Pirlo e o zagueiro Barzagli irão disputar a final contra o Barcelona no mesmo estádio onde se sagraram campeões do mundo. E, assim como naquela noite de 9 julho de 2006, Buffon, agora com 37 anos, acredita que pode sair com a taça na mão.
- Não vamos a Berlim fazer turismo. Na carreira de um jogador, você não tem assim tantas finais para jogar. Quando tem essa oportunidade, é preciso vencer - afirmou o capitão do Juventus, em entrevista no final do confronto contra o Real Madrid, em que os italianos empataram por 1 a 1 e carimbaram o passaporte para a decisão na Alemanha.
EXPERIÊNCIA EM CAMPO
A noite até começou bem para o Real Madrid. Parecia que tudo estava encaminhado para a classificação dos merengues quando, aos 23, Cristiano Ronaldo converteu o pênalti que deu a vantagem de 1 a 0 e colocou o time espanhol perto da final. Ao contrário de Diego Alves, Buffon deixou-se enganar pelo português e caiu antes de CR7 chutar para o meio do gol e ser ovacionado pelo seu estádio. O Bola de Ouro dedicou o seu décimo gol nesta edição da Champions à família, apontando na direção do seu camarote, onde estavam o irmão Hugo, o melhor amigo Ricardo, o empresário Jorge Mendes e sua esposa, o presidente do Valencia, Peter Lim, e uma misteriosa menina loira que sorriu com a dedicatória. Seria Vanessa Huppenkothen, jornalista e modelo mexicana que no mês de março foi vista em Madri com o craque e passou a ser considerada um affair do craque.

Um Santiago Bernabéu lotado estava vivendo uma noite de sonho, e alguns torcedores já falavam na sonhada final contra o Barcelona. Mas Buffon, que não é um especialista em defender pênaltis, logo depois mostrou qual é a sua especialidade. O camisa 1 bianconero colocou toda a sua experiência em campo para ajudar o time a buscar o gol, impôs liderança, gritou com todos - até Pirlo ouviu por estar desatento em tarefas defensivas. E ainda pegou tudo o que pôde.
Benzema e Bale criaram perigo a Buffon, principalmente no primeiro tempo, mas o goleiro defendeu todos os disparos e lançou rapidamente o time para o ataque. O árbitro também ouviu o goleiro. O pênalti a favor do Real Madrid já não tinha agradado muito a Buffon, que depois foi até ao meio do campo gritar com o juiz por uma falta não marcada sobre Tevez, que deixou Benzema livre para chutar. O goleiro primeiro defendeu o disparo do francês, depois foi tirar satisfações.

Dizem os seus companheiros que há muito tempo não viam um Buffon assim. O capitão conversou com o bandeirinha e voltou a gritar com o juiz em duas ocasiões, sem ser punido. O peso e o carisma do líder bianconero parecem ter contribuído, porque no segundo tempo Jonas Eriksson esteve mais atento com as faltas sobre os jogadores italianos - coisa que, por vezes, havia ignorado no primeiro - e ainda deixou o jogo seguir após reclamação de Chicharito por um pênalti após choque com Evra, que poderia ter dado de novo uma vantagem ao Real Madrid e reaberto a eliminatória.
ORIENTAÇÕES À ZAGA
Na segunda metade do jogo, Buffon continuou inquieto, corrigindo os companheiros e pedindo calma, porque ainda havia muito tempo para buscar o gol. Em nenhum momento, o camisa 1 permitiu que os seus zagueiros se distraíssem na linha defensiva ou partissem desesperados para o ataque. Isso não aconteceu, e o time ficou compacto como se estivesse em vantagem, o que induziu os merengues ao erro.
Sergio Ramos admitiu, no final do jogo, que após o gol de Cristiano Ronaldo, o time espanhol "já se sentia classificado". Mas Allegri colocou a Velha Senhora para jogar como nos velhos tempos do futebol italiano, conduzindo a partida. E, de uma jogada que parecia inofensiva, Pogba - que até então não tinha aparecido muito no jogo - fez valer a sua estatura e físico e ganhou uma bola em disputa pelo alto com Ramos. Morata, tranquilamente sozinho no meio da área, controlou e chutou para o fundo do gol de Casillas. Kroos estava perto do espanhol, mas não foi capaz de se antecipar no lance. O atacante não celebrou, mas recebeu vaias daquela que foi a sua casa até o ano passado. O merengue já havia marcado o gol no jogo de ida e voltou a punir o time da sua cidade, o clube do seu coração, mesmo sem querer.
- É uma sensação estranha marcar aqui. Não foi natural para mim comemorar este gol, e quando isso acontece, só demonstra o carinho e o respeito que tenho pela torcida do Real Madrid, pelas pessoas que me viram crescer aqui e fizeram de mim um jogador de futebol - comentou o espanhol.

Morata não é um jogador muito expressivo durante entrevistas, mas deixou escapar um sorriso na zona mista para aqueles que não acreditavam no seu sucesso. No ano passado, quando decidiu que queria vestir a camisa bianconera, o jovem foi aconselhado por alguns companheiros a permanecer no Real Madrid, onde estava escondido por Benzema.
"Entre ser reserva no Juventus ou no Real Madrid, é muito melhor ficar aqui. Se você quer jogar sempre, é melhor ir para um time como Bayer Leverkusen, Wolfsburg", foi o que Morata ouviu de mais de um companheiro, antes de deixar Madri. A resposta tardou uns meses, mas chegou. Morata começou a temporada atuando no banco, mas tirou o lugar do compatriota Fernando Llorente, e agora forma dupla de ataque com Tevez. Venceu o Campeonato Italiano, marcou dois gols contra o seu ex-time e o eliminou na semifinal da Champions. Disputará a final da Copa da Itália na próxima quarta-feira e ainda pode vencer a segunda Liga dos Campeões consecutiva, se triunfar diante do Barcelona, em Berlim. Nada mau para o primeiro ano.
O espanhol não celebrou o gol contra o Real Madrid, mas Buffon festejou por ele. Lá do outro lado do campo, o goleiro olhou na direção da torcida bianconera, pulou, gritou, deu socos no ar com raça e pediu apoio dos milhares de fãs até o final do encontro. O Real Madrid ainda teve algumas ocasiões de gol, mas muito menos do que no primeiro tempo.

O que parecia ser uma noite de sonho para o time da casa teve um triste final. O time bianconero estava nervoso e agitado no primeiro tempo, sofreu muito, mas aos poucos - e com a ajuda do mais experiente Buffon - se reergueu e selou a classificação.
- É uma espécie de percurso que volta ao passado, vamos a Berlim, onde Giggi levantou a taça mais importante para uma seleção. Ele teve uma prestação grandiosa. É como se os anos não passassem por ele. A gente sabe que, além de um grande jogador, temos um grande capitão e homem. Nesses momentos, a experiência de Buffon pode ajudar muito o grupo - elogiou Marchisio.
De Berlim a Berlim, como disse Giggi, que estará de volta à Alemanha com o objetivo de levar a desejada "orelhuda", que falta no seu currículo. Ainda que o Barcelona de Neymar, Messi e Suárez seja o favorito, Buffon não parece nem um pouco intimidado com o confronto, até porque, na capital alemã, ele se sente em casa.

Fonte: globoesporte.globo.com
 
Por:  Desire Duque    |      Imprimir