318607 Noticias - O lobo e o cordeiro  -  Pedro Valls Feu Rosa




Categoria Opinião  Noticia Atualizada em   11/05/2015   às  08:01:19                   
O lobo e o cordeiro
Dia desses, meio que por acaso, tive a oportunidade de reler a fbula O lobo e o cordeiro, de Esopo.
O lobo e o cordeiro
Foto: Google Imagens
Escreveu aquele grande autor que certo dia um lobo, ao ver um cordeiro beira de um riacho, quis devor-lo. Porm, era preciso apresentar uma boa razo. Assim, apesar de estar na parte superior do riacho, o lobo acusou-o de sujar sua gua. O cordeiro se defendeu: - como posso eu sujar a sua gua se ela vem da, de onde voc est?.

Sem saber o que responder, o lobo lanou nova acusao: - eu soube que no ano passado voc insultou meu pai. Ao que o cordeiro respondeu: - mas eu nem era nascido!

E eis que o lobo, j sem saber o que dizer, simplesmente rosnou alguma coisa do tipo inocente ou no, eu quero te devorar, partindo para cima do pobre cordeiro.

Esta fbula me ps a refletir sobre os to comentados royalties, fruto da explorao das nossas mais preciosas riquezas no-renovveis. Quando falamos de minrios, a alquota situa-se entre 0,2 e 3%. J os do petrleo chegam, como se sabe, a 10%. Esta distoro d margem a situaes curiosas.

Assim, por exemplo, todos os municpios agraciados com os royalties da minerao receberam, juntos, em 2009, R$ 1,1 bilho - quase a mesma coisa que a pequena Maca, sozinha, recebeu pela explorao de petrleo: R$ 1,08 bilho!

Vamos a outro nmero: de janeiro a setembro de 2010, segundo li, o lucro lquido de nossa maior produtora de petrleo chegou a R$ 24,5 bilhes - e considere-se que ela tem praticamente o monoplio da explorao. Enquanto isso a maior mineradora em atividade no Brasil, detentora de apenas 40% do valor da produo de minrios, lucrou R$ 20 bilhes no mesmo perodo. Traduo: salta aos olhos que o lucro lquido do setor de minerao bastante superior ao do de petrleo.

Este quadro difcil de entender. E fica ainda mais complicado quando iniciamos algumas comparaes. Assim, por exemplo, a Austrlia faz incidir sobre a produo de diamantes uma alquota de 7,5% do valor na mina. A China, 4% no valor de venda, e a Indonsia 6,5%. J o Brasil, 0,2% sobre o faturamento lquido, excludos os impostos!

Se passarmos os olhos por uma tabela comparativa envolvendo outros minerais, os resultados no sero assim to diferentes. Ora ser o Canad, cobrando entre 5 e 14% sobre os lucros decorrentes da minerao, ora o Uzbequisto impondo 7,9% sobre as vendas do cobre, ora a Indonsia taxando em 3% a 5% o valor da venda dos minrios. E aqui estamos ns, no final da fila, com algumas das mais baixas alquotas do planeta! E nem adentro no srio quadro dos incentivos fiscais exportao de riquezas no-renovveis, patrimnio do povo brasileiro.

diante da tristeza que este quadro causa que fico a recordar o passado. Cad o ouro de Serra Pelada, que seria a redeno do Brasil? E o mangans da Serra do Navio? O fato que, desde a minha infncia, assisto a mesma pera bufa, qual a das riquezas fabulosas que surgem das entranhas do nosso solo, com pompa e circunstncia, cercadas de ufanismo, publicidade e reportagens, para desaparecerem em seguida, sob os acenos das 20 crianas que ainda morrem a cada dia sob as nossas vistas, vtimas da falta de uma simples rede de esgoto!

Mas argumentos no bastam. O que vale que ns, capixabas, estamos a caminho de perder os royalties do petrleo. No que toca minerao, ficaremos apenas com o p negro que respiramos cotidianamente. Afinal, somos o cordeiro da estria!

Fonte: O Autor
 
Por:  Pedro Valls Feu Rosa    |      Imprimir